A gente só quer amor!

segunda-feira, 18 de agosto de 2014




No fundo, a gente só quer amor.
Pensar amor. Fazer amor. Viver amor.
A gente só quer um peito largo pra afanar a dor e alargar o coração.
A gente só quer um abraço demorado e uma voz pra dizer ‘tô contigo e não largo’.
Na real, é tudo por amor.
Para além da carne. Das entranhas. Da alma.
Amor que não tem hora. Amor que não demora.
Amor agora. Mais tarde. Lá fora.
Amor pra dançar em dia de tempestade. Amor pra chorar em dia de sol.
Só amor. Mais amor. Já basta. Por favor? 



Entre a poesia e a prosa de esquina

segunda-feira, 21 de julho de 2014

(fonte)
Transformei-me num ser adepto do inacabado. Não sei precisar em que momento exato isso aconteceu. Não me recordo do ano, da ocasião ou mesmo da força de vontade que acabou por esvair-se do meu âmago.

O que sei é que recrutei minha existência para esta estrondosa bolha que construí ao meu redor. Fiz do pacato, a minha rotina. Elevei a exaustão mental ao ápice. E agora, aqui estou para entoar poesia diante daquilo que age como navalha por dentro.

Sou os livros que ainda nem folheei. Sou as pessoas com quem não convivi. Sou as criaturas com quem me desgastei. Sou as noites que me encontrei, insistentemente, insone. Sou as conversas que não terminei. Sou os corpos que não ousei abraçar. Sou os lábios que procurei não beijar. Sou os ‘agoras’ que ficaram para os ‘amanhãs’.  Sou as realizações que deixei para os sonhos. Sou as realidades que empurrei para as ilusões. Sou as verdades mal digeridas. Sou as mentiras, mais ou menos, engolidas. Sou ‘o dentro’ que grita quando ‘o fora’ cala. Sou a boca que esperneia mesmo quando deveria silenciar. Sou da exaustão que não cede lugar ao dançar. Sou da sinceridade estampada que não troca de papel com a máscara levantada. Sou tanta poesia dilacerante impregnada de uma prosa dissonante.

Só mais uma.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Via.
Tô revirando os cacos. Uns pontiagudos, outros nem tanto, mas todos cortantes. Tô enfiando a mão inteira dentro da goela e aguardando pelo sufocamento final. Tô embaraçada. Desgastada. Despedaçada. E passam as horas, os dias. Nenhuma palha esbouça qualquer movimento. Pareço ter enraizado aqui: No marasmo. Não sei há luz. Não sei há trevas. Só enxergo a imensidão devastadora e isso me assusta. Não há nada.

Caminho perdida em mim, nos outros e afundando, cada vez mais, no caos. Sim, o caos, aquele que tão bem reconheço e trago fortes doses de sua bebida amarga. Sigo tragando a própria dor, como se fosse prazeroso sofrer e fazer doer. E também ''buscando um novo rumo que faça sentido nesse mundo louco com o coração partido.''

Às vezes, na maior parcela delas, só há preguiça de existir. É exaustivo. É decepcionante. Não tenho condições para tamanha proeza. Nem ao menos sei se quero possuir tais condições. Parecem emergir apenas os erros, os enganos, os tropeços. Talvez minha existência possa ser, perfeitamente, resumida em: De tanto cambalear, enfim, caiu. Porque cair aparenta ser o melhor remédio para sanar as feridas que corrói até o derradeiro átomo.

Mas como a teimosa reina firme e forte, cair (de vez) ainda não é o foco.

Uma relação interna e muito séria.

sexta-feira, 6 de junho de 2014


(ARQUIVO PESSOAL)

- No fim, vai ficar tudo bem, ela dizia. 
Eu, como de costume, não acreditava.

Mas ela queria que eu acreditasse. Insistia. Até batia o pé. Só que mais insistente era eu, o lado mais obscuro de nós duas. E ainda que eu esbouçasse um monossílabo sequer, ela sabia que eu gritava por ajuda. Uma corda me puxava direto ao fundo do poço. Puxava-me com uma força indescritível. Ela queria me salvar. Ela tentava. Eu resistia.

Ela me conhecia tão bem, que sabia que não poderia fazer nada ao menos que eu mesma desse o primeiro passo. Uma vez, alguém me disse que o mais difícil é sempre o primeiro passo. Eu sabia disso desde o início. Ela também. E nós duas seguíamos teimosas em uma luta que ninguém venceria.

Eu pairava numa corda bamba. Ela estava pronta para me amparar. Eu sabia que ela estaria lá para me segurar e, ainda sim, eu orgulhosa e crente que a dor era minha melhor amiga, continuava cambaleando. Mas ela é que era minha melhor amiga e eu recusava e dava às costas para a sua amizade tão pura e desprovida de segundas intenções. Ela só tinha ''primeiras'' intenções. Queria-me inteira e não despedaçada, como eu preferia ficar. Ah, lógico que ela conhecia muitíssimo bem (melhor do que eu até), o prazer que morava na minha dor.

Nós brigávamos todos os dias. Ela sorria descaradamente. Eu chorava copiosamente. Ela procurava me envolver. Eu afastava seus braços. Ela me acolhia. Eu me recolhia como uma ostra. Ela descomplicava. Eu complicava.

Ela insistia na luz no fim do túnel. 
Eu insistia no fim do túnel. 


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