Não é que eu tenha acordado em
uma bela manhã de sol e tenha dito pra mim mesma: ‘‘A partir de hoje, não
comerei mais nada, porque quero emagrecer’’. Longe disso. As coisas,
simplesmente, aconteceram. Lembro-me de quando tinha uns 8 anos de idade, mais
ou menos, e desfilava por ai com uma daquelas barriguinhas fofas e gorduchinhas
de criança, sabe? Acho que na época, eu não curtia muito uma barriguinha
daquele jeito, mas hoje em dia sinto saudades desse tempo, em que eu era mais
saudável e não tinha essa aparência tão moribunda que tenho hoje.
Não sei mais o que fazer, mas
também nem sei, se algum dia fiz algo. Dizer-me pra comer, não vai me fazer
engordar, como que por um milagre. Não consigo comer direito. Confesso, que
quando estou com um prato de comida na minha frente, comidas daquelas bem saborosas
mesmo, parece que tenho toda a fome do mundo, mas depois de umas poucas garfadas,
essa fome desaparece e me sinto cheia, recheada como um leitão (por mais que
não esteja na realidade). Odeio isso. Querer comer mais, ter fome e meu
estômago não suportar mais nada. Acho que ele está diminuindo. É como se minhas
estripas estivessem dando nós umas nas outras. Sempre me contaram que minha bisavó
morreu de estreitamento do estômago. Tenho medo de ter o mesmo fim que ela.
No último sábado, me pesei em uma
farmácia qualquer dessa cidadezinha do interior, e para qual foi minha surpresa,
percebi que havia engordado. Umas 500 gramas, mas já é alguma coisa. Estou
agora com 43 quilos fechados. O que é pouquíssimo, se comparado à minha altura
de algo mais que um metro e cinquenta centímetros. Creio estar longe do meu
peso ideal, mas isso é só um começo. Travo uma luta diária entre mente e corpo.
Entre lucidez e devaneios. Espero que o lado consciente possa vencer.
Não sei se vocês conseguem captar
meu sentimento de culpa, mas ele está aqui e só cresce. Não consigo recordar-me
como as coisas ganharam tamanhas proporções. Não sei se foram as perdas de
entes queridos, as doenças e conflitos que assolaram minha família no decorrer
desses anos... Só sei que adoeci junto. Tornei-me este esqueleto ambulante que
paira por ai, sem rumo, sem saber o que fazer de si própria.
Clamo por uma chance. Pela chance
de ouro para clarear as ideias e tomar uma atitude. Minha saúde só depende de
mim, e da minha força de vontade em querer recuperá-la. Mas onde está essa
força? Em que esquina a perdi? Foi-se embora junto com meu peso?

