Lá fora.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

(Google Imagens/Reprodução)
A vida é linda lá fora? Não sei. Nunca vi. O máximo que enxergo é o que chega até mim pela janela entreaberta do meu quarto escuro. Só sei que chove, porque o barulho é inevitável. Só sei que faz sol, porque os raios quase me cegam. Mas não respiro o ar que transita lá fora. Sufoco aqui dentro. Falta-me o fôlego. Nem sinto o cheiro do que pulsa lá. Reclino-me ao miserável odor que paira nestas paredes. E são elas, estas mesmas paredes de branco manchado, que parecem ser mover rumo ao meu encontro. O aperto se expande. Busco por um mínimo resquício de ar, mas não há nada. Ar? Onde ele foi parar? O que sobra é apenas o desmanchar. Da pele. Do corpo. Da alma. 

Quando tento esbouçar qualquer tentativa para levantar, vou virando pó. Quando isso começou? Já fui inteira algum dia? É pesado. Tudo dói. Ninguém escuta meus gritos desesperados. A ilusão reina absoluta. Transformo a existência inóspita em vida, mas não há vida. Tudo acontece lá fora. Nada soa de verdade aqui dentro. A eterna corda bamba entre o viver e o existir. Então, levanto voo. Estou despencando. 


As palavras viram beijos.

sábado, 23 de agosto de 2014


Eu tenho uma mania terrível. A mania de escrever e poetizar pessoas. Mal as conheço e já quero desvendá-las. Mas tem que fluir a inspiração, o encantamento. Não que eu saia por aí me encantando com qualquer pessoa não, mas é que, vez por outra, aparece gente por quem vale a pena suspirar. E eu suspiro longa e pausadamente. Suspiro sem medo de ser pega no flagra. Então, me vejo sonhando acordada. Enveredando madrugadas, porque o pensamento nele não quer passar. E eu penso. Repenso. Preciso transformar em escrita todo o sentimento que transborda em mim. Logo, as palavras viram beijos. No fim, só escuto sua voz que cresce e me diz ''boa noite, amanhã a gente se fala.''

A gente só quer amor!

segunda-feira, 18 de agosto de 2014




No fundo, a gente só quer amor.
Pensar amor. Fazer amor. Viver amor.
A gente só quer um peito largo pra afanar a dor e alargar o coração.
A gente só quer um abraço demorado e uma voz pra dizer ‘tô contigo e não largo’.
Na real, é tudo por amor.
Para além da carne. Das entranhas. Da alma.
Amor que não tem hora. Amor que não demora.
Amor agora. Mais tarde. Lá fora.
Amor pra dançar em dia de tempestade. Amor pra chorar em dia de sol.
Só amor. Mais amor. Já basta. Por favor? 



Entre a poesia e a prosa de esquina

segunda-feira, 21 de julho de 2014

(fonte)
Transformei-me num ser adepto do inacabado. Não sei precisar em que momento exato isso aconteceu. Não me recordo do ano, da ocasião ou mesmo da força de vontade que acabou por esvair-se do meu âmago.

O que sei é que recrutei minha existência para esta estrondosa bolha que construí ao meu redor. Fiz do pacato, a minha rotina. Elevei a exaustão mental ao ápice. E agora, aqui estou para entoar poesia diante daquilo que age como navalha por dentro.

Sou os livros que ainda nem folheei. Sou as pessoas com quem não convivi. Sou as criaturas com quem me desgastei. Sou as noites que me encontrei, insistentemente, insone. Sou as conversas que não terminei. Sou os corpos que não ousei abraçar. Sou os lábios que procurei não beijar. Sou os ‘agoras’ que ficaram para os ‘amanhãs’.  Sou as realizações que deixei para os sonhos. Sou as realidades que empurrei para as ilusões. Sou as verdades mal digeridas. Sou as mentiras, mais ou menos, engolidas. Sou ‘o dentro’ que grita quando ‘o fora’ cala. Sou a boca que esperneia mesmo quando deveria silenciar. Sou da exaustão que não cede lugar ao dançar. Sou da sinceridade estampada que não troca de papel com a máscara levantada. Sou tanta poesia dilacerante impregnada de uma prosa dissonante.
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